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Meu pai é meu amante

by: silfide

Quando minha mãe morreu, eu estava exatamente com sete anos e meio de idade. Não tenho muitas lembranças daquela época, apenas talvez do cheiro das velas e do perfume das flores que estavam por toda parte lá em casa. Lembro dos tios e das tias com fisionomias muito sérias, com alguns deles chorando pelos cantos, e meu pai parado ao lado da janela da sala onde estava um caixão grande, com minha mãe, deitada dentro dele. Zezé, a nossa empregada, tinha me dito que depois o caixão seria fechado e colocado dentro do túmulo da família, lá no cemitério! Eu tinha perguntado a ela como era morrer e ela tinha me dito que uma pessoa que morre nunca mais vai poder falar, comer, andar, tudo o que os vivos fazem... Eu fiquei pensando sobre isso e quando meu pai me suspendeu nos braços e me mandou beijar a boca de minha mãe, eu tive medo e comecei a chorar. Mas mesmo chorando muito, meu pai me obrigou a beijar a boca de minha mãe que estava fria e não se mexia. Depois ele beijou a minha boca e disse que era para selar aquele momento como sagrado. Quando voltamos do cemitério, vi novamente todos os tios e tias, primos e primas que eu mal conhecia, pois eles moravam na cidade grande e a gente morava no interior como dizia Zezé, quando eu reclamava que nunca tinha uma amiga para brincar comigo! Meu pai não queria que eu freqüentasse a escola na cidade. Ele dizia que a escola ficava longe e que ele não tinha tempo para me levar e buscar todo dia. Por isso eu tinha uma vida muito isolada e praticamente só conversava com Zezé que já era bem velha nessa época e meio surda! Naquela noite os tios só foram embora bem tarde. Eu já tinha ido me deitar, mas não conseguia dormir. Estava com medo, pois Zezé havia me dito que os mortos podem voltar e assustar as crianças. Depois, eu não conseguia esquecer o frio que senti ao beijar a boca de minha mãe e o calor da boca do meu pai e pensava se quando ele morresse também ficaria com a boca imóvel e fria. Naquela noite quando meu pai foi se deitar, já muito tarde, eu ainda não estava dormido quando ele, ao passar pelo meu quarto em direção ao dele, entrou, me pegou no colo e me levou ao quarto dele, me deitou na cama onde ele e a mãe dormiam. Saiu por uns instantes e quando voltou ao quarto, já estava vestido para dormir. Deitou-se ao meu lado, me abraçou pela cintura e me disse bem baixinho que eu não precisava ter medo porque ele iria tomar conta de mim e que quando eu crescesse, iria tomar o lugar de minha mãe para cuidar dele, da casa, e garantir para que tudo estivesse bem e de acordo com os gostos dele! Lembro de ter dito a ele que seria a melhor filha do mundo e que faria tudo para que ele gostasse muito de mim e não ficasse triste com a morte da mãe! Aí ele me disse que eu seria a mulherzinha dele no lugar dela e que se eu fosse boazinha, ele iria me amar muito, muito mais do que amou a ela! Então eu perguntei o que era ser uma boa mulherzinha e ele me disse que bastava eu fazer para ele tudo o que ele mandasse! Nessa noite meu pai e eu dormimos abraçados e todo o medo que eu estava sentido passou.

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