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O capataz
by: coroapraiana
Nasci e me criei em uma zona de muita área verde. Meus pais possuíam uma fazenda muito extensa, com animais de porte médio pequeno e grande...tipo galinhas, patos, cachorros, gatos, cavalos e gado leiteiro. Tinha um extenso bananal, muitas mangueiras e cajueiros. Nos fundos do terreno corria um pequeno riacho que logo mais à frente se transformava em um grande lago. O que mais me encantava eram os ipês. De todas as cores azul, roxo, amarelo e branco quando chegava o mês de setembro. Eu era filha única. Meu nome era Carmem. Carminha era como me chamavam. Desde pequenina fui criada acordando cedo e ajudando minha mãe na lida da fazenda. Sempre fui muito bonitinha. Morena da cor de jambo e olhos bem verdes. Minha mãe tinha os olhos claros e meu pai era negro. Aí deu essa junção que sou eu. O que eu mais gostava era de andar por dentro de uma imensa horta que nós tínhamos e que abastecia as cidades próximas. Tomates, pimentões, salsa, pimenta de toda qualidade...batata-doce, cenoura, beterraba, alface, couve, era uma variedade enorme. Eu adorava cuidar do canteiro do tomate-cereja. Acho que pelo seu tamanho pequenino. O velho que tomava conta da horta faleceu e meu pai precisou arranjar outro cuidador. O novo cuidador se chamava Afonso, era um homem alto, moreno na faixa de seus 40 anos. Fiz logo amizade com ele, pq assim eu teria livre acesso ao canteiro da horta. E nos demos muito bem. Ele tinha muita paciência comigo, me dava longas lições de como se fazia para conservar as verduras lindas e frescas. Ele logo ganhou a amizade de todos e assim se passaram muitos anos. Eu fui estudar na cidade, pois os meus pais tinham casa lá. Só voltava nos finais de semana. Aos 18 anos, me tornei uma bela jovem. De altura média, cintura bem pronunciada e bunda bem feita. Pernas bem torneadas e coxas grossas. Terminei o ensino fundamental e estudei para me formar professora, onde fui bem sucedida. Terminando os estudos fui ensinar na escola do lugarejo à 20 km. Todos os dias meu pai ia me deixar e buscar, pois eu ainda não tinha habilitação. Um dia ao sair da escolinha, encontrei o Afonso me esperando...- aonde está o meu pai? Eu perguntei. Não se preocupe menina, ele não pode vir hoje e pediu para eu vir lhe buscar. - Mas, Afonso eu nunca nem soube que vc sabia dirigir. Ele riu e disse: - e precisava vc saber? Quando voltávamos para casa, ele falou: - Carminha eu queria te pedir uma coisa. Mas por favor não conte para o seu pai. Eu fiquei apreensiva... – fale Afonso. – Eu queria que vc me ensinasse a ler e escrever. - Putz...Afonso, vc não sabe nem ler e nem escrever?? Ele desviou os olhos dos meus e disse... – pq vc acha que eu sou cuidador de horta até hoje?? - Tá bom Afonso, vamos começar amanhã mesmo! Mas, vai ter que ser bem cedinho. Pois eu só tenho tempo antes das 7 da manhã. – Ok, Carminha. Vou ajeitar uma mesa lá no barracão das ferramentas.